sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

és um termómetro ou um termóstato?

Há uma grande semelhança e uma grande diferença entre o termómetro e o termóstato, os dois medem a temperatura, mas enquanto um limita-se a medir a temperatura, o outro vai além, ligado a um aquecedor ou ar condicionado,  interage com o ambiente, tornando-o mais agradável. 
O engraçado é que, de certa forma, podemos de um modo geral, classificar as pessoas como tais dispositivos. Por exemplo: há aqueles que vivem denunciando os problemas e irregularidades a sua volta, e outros que interagem ativamente para solucioná-los. 
Cada um de nós podemos fazer uma auto-avaliação para descobrirmos com qual dispositivo nos parecemos, mas antes de o fazer, dê um lida neste artigo e como uma simples pessoa, fez a diferença na sua comunidade.


Conforme mudam as estações do ano, ajustamos o termostato na nossa casa, esperando manter o ambiente confortável lá dentro, independentemente do tempo no exterior. Esta atividade levou-me a considerar uma questão mais pessoal: Serei uma pessoa do tipo termómetro ou termostato? Registo simplesmente o meu ambiente, ou, tal como um termostato, faço alguma coisa para melhorar o ambiente?
Em maio de 2008, visitei a Igreja da Comunidade New Song, em Sandtown, Baltimore, em Maryland (para mais informações ver Mark R. Gornik, To Live in Peace: Biblical Faith, and the Changing Inner City, Eerdmans, Grand Rapids, 2002). Esta igreja Presbiteriana emergiu da devastação causada pelos motins raciais, no fim dos anos 1960 e no início dos anos 1970, e foi utilizada por Deus para transformar o ambiente da comunidade circunvizinha.
Sandtown era uma comunidade próspera, no início dos anos 1960, vibrando com vida. Contudo, os motins e os incêndios transformaram-na numa zona de guerra. A maioria das famílias mudou-se, à procura de uma vizinhança "melhor", deixando para trás um rasto de prédios abandonados e queimados. Os comerciantes foram embora, e as drogas e o crime instalaram-se, tornando Sandtown num lugar desagradável para se viver.
Em 1986, Allan e Susan Tibbels, com as suas duas filhas, deixaram uma grande casa num opulento bairro em Clarksville, em Maryland, e chegaram a Sandtown. (Allan era tetraplégico.) Eles remodelaram um apartamento queimado e mudaram-se. Mark Gornik, um amigo e pastor, juntou-se a eles e mudou-se para outro apartamento. As duas famílias tornaram-se num motivo de "piadas", ao circular pelas ruas, ao frequentar as reuniões comunitárias e ao misturar-se com aqueles que não tinham fugido de Sandtown. Ao princípio, os residentes de Sandtown olhavam os recém-chegados com desconfiança. Porque é que estas pessoas brancas e ricas vieram viver para Sandtown?, interrogavam-se.
A medida que os Gornik e os Tibbels continuavam a demonstrar o seu profundo amor pela comunidade, estabeleceram uma igreja na sala de estar dos Tibbels, com as famílias que se tinham tornado suas amigas na vizinhança. Esta tornou-se, mais tarde, na Igreja da Comunidade New Song. Os membros desta igreja-casa oraram para que Deus lhes mostrasse como é que podiam transformar a, aparentemente, irremediável situação
deste bairro. O Senhor inspirou-os a começarem o trabalho satisfazendo uma necessidade bastante óbvia - alojamento. Eles criaram uma parceria com a Habitat for Humanity (Habitação para a Humanidade) e começaram a recrutar voluntários para se juntarem a eles na restauração dos apartamentos à sua volta.
Inicialmente, a igreja concentrou-se em 15 dos 72 blocos de Sandtown. Rua a rua, eles reconstruíram as ruínas, deixando um rasto de casas lindas, acessíveis e restauradas, para novos e felizes proprietários. Eles angariaram dinheiro e construíram uma nova escola, no valor de 5 milhões de dólares (cerca de 3,5 milhões de Euros), para as crianças da comunidade renascida. Construíram um centro de saúde, iniciaram um programa de emprego, um centro de reabilitação de drogas e um programa de artes. O Coro Infantil de Sandtown é nacionalmente famoso e viaja, para perto e para longe, para partilhar a sua experiência de esperança reavivada numa comunidade que floresce novamente. 
Allan Tibbels morreu em junho de 2010. David Miller, o presidente do concelho de gestão da Habitat for Humanity, disse o seguinte sobre ele:
"Dói-me o coração pela perda de um dos grandes seres humanos de Deus. O mundo é hoje um lugar mais pobre. ... Através da sua incansável dedicação e inspiração, temos uma comunidade renascida da quase total extinção.
Temos hoje mais de 275 novos proprietários, numa área que muitos disseram ser 'irrecuperável'. Temos uma nova geração de jovens que estão a terminar o ensino secundário e universitário - alguns pela primeira vez na história da sua família. Tudo isto porque, há mais de 20 anos, algumas famílias percorreram este caminho e se tornaram parte da estrutura de uma comunidade necessitada."
Allan foi-se, mas a igreja que ele ajudou a iniciar, a Igreja da Comunidade New Song, continua a transforma a sua comunidade. Quão dispostos estamos nós, enquanto Cristãos Adventistas, a estabelecermos uma parceria com Deus para mudarmos, para melhor, os ambientes atuais onde nos encontramos?

• May-Eilen Colón,
vice-diretora do Departamento da Escola
Sabatina e do Ministério Pessoal; Diretora
dos Serviços Comunitários Internacionais
Adventistas da Conferência Geral.
Revista Adventista • Novembro 2011


Vídeo em inglês: http://www.wbaltv.com/video/23903284/detail.html

Sem comentários:

Enviar um comentário